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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

O Mito de Teseu - parte 2




O Minotauro foi um ser metade homem, metade touro, concebido em Creta. Como o rei Minos lutava contra os irmãos pelo direito de governar, rogou a Poseidon que lhe enviasse um touro branco como a neve como aprovação pelo seu reinado. Seu pedido foi atendido com a condição de que Minos sacrificasse o touro em nome do deus.

Porém para provar a aprovação de Poseidon e também pela beleza do animal, Minos resolveu manter o touro vivo. Como forma de punição, Afrodite fez com que Pasífae, a esposa de Minos se apaixonasse perdidamente pelo touro. A rainha então sob efeitos dos poderes da deusa pediu ao artesão Dédalo que lhe construísse uma vaca de madeira onde ela pudesse se esconder, e atrair o touro a fim de copularem.
Das relações da rainha e do touro nasceu o monstro mitológico Minotauro.

Por conselhos do oráculo de Delfos, Minos mandou que Dédalo construísse um enorme labirinto onde abrigou o monstro.

Após a morte de seu filho, Androgeu, Minos enfurecido, passou a cobrar como tributo à Atenas. Eram 7 rapazes e 7 moças que eram abandonados no labirinto para serem devorados pelo Minotauro.

Na época do terceiro sacrifício, Teseu se ofereceu para matar o Minotauro, e disse a seu pai que se voltasse vitorioso, ergueria velas brancas no navio que o transportava, caso morresse, pediria que erguessem velas negras.

Ele partiu para Creta. Lá conheceu Ariadne, a moça se apaixonou por ele e propôs ajuda desde que ele retornasse e casasse com ela, Teseu agarrou-se a única chance que tinha para vencer e aceitou a proposta. Ariadne lhe deu uma espada e um novelo que o ajudou a guiar-se no caminho de volta, além de lhe indicar o único caminho que dava diretamente para o centro do labirinto onde ficava o monstro. De posse de uma arma, Teseu conseguiu então vencer a fera com um único golpe em sua cabeça e retornou guiando-se pelo fio do novelo, que Ariadne segurava do lado de fora.



Mas ao retornar para Atenas com Ariadne, Teseu esqueceu-se de erguer as velas brancas que havia prometido a seu pai, deixando as velas negras içadas. Ao ver as velas negras do barco, Egeu pensou que o filho estivesse morto e louco pela tristeza, jogou-se de um penhasco no mar [hoje o lugar é conhecido como Mar Egeu].

No entando no meio do Caminho, Teseu abandona Ariadne, já que ele não a amava de verdade.
Existem hoje, três versões diferentes para a separação entre Teseu e Ariadne. A primeira, conta que voltando para Atenas eles passaram na ilha de Naxos, durante a noite, Teseu recebeu em sonho o aviso de Dionísio, que o ameava a vida, se ele não deixasse Ariadne para o deus. Então, temendo a ira divina, Teseu parte sem ela, e Dionísio a leva para o monte Drius, depois disso, ninguém mais teve noticias da princesa de Creta.


Uma segunda versão conta que Teseu a abandona em Naxos por simplesmente não amá-la. Comovida com a dor de Ariadne, Afrodite lhe promete um amante imortal. O deus Díonisio, comovendo-se pela tristeza da moça, a toma como esposa e lhe dá uma coroa de ouro cravejada em pedras como presente de casamento. Na ocasião da morte de Ariadne, Dionísio teria jogado esta coroa no céu, o qual teria se transformado na constelação da coroa boreal.

A terceira versão, diz que Dionísio rapta Ariadne, e Teseu, entristecido por isso, se esquece de içar as velas brancas, levando ao suicídio de Egeu.

Há ainda uma quarta variante, que não é muito aceita na historia, onde Teseu leva Ariadne para a praia da ilha para amenizar um enjoo, um vento muito forte, afasta o navio, deixando-o a deriva e quando ele finalmente consegue encontrar o caminho de volta, encontra-a morta.

Qualquer que seja a verdadeira entre as três versões, sabe-se que Teseu chega sozinho a Atenas onde descobre que seu pai morreu e se torna rei.

O governo de Teseu foi sábio e democrático, porém não abandonou seu espírito aventureiro.


Saiu de Atenas e promoveu uma luta contra as amazonas. Esta luta também possui versões diferentes. A primeira versão diz que Teseu juntou-se a Héracles [Hércules] nesta luta e como saiu vitorioso, recebeu como premio a amazona Antíope com quem teve o filho Hipólito.

Uma segunda versão conta que ele teria raptado Antíope, e a terceira que ele abandonara Antíope para desposar Fedra, a irmã de Ariadne. Nestas duas ultimas versões, conta-se que houve uma invasão das amazonas a Atenas em busca de vingança, mas os Atenienses venceram a batalha, dando origem as festas de comemoração pela vitória sobre as Amazonas, chamada boedrômias.

Existe uma outra variante que conta que, nesta luta Teseu rapta Hipólita, a rainha das amazonas e com ela tem o filho Hipólito.

Dentre as outras aventuras de Teseu antes de sua queda, tem-se ainda a caça ao boi da Caledônia, a missão dos Argonautas para encontrar o velo de ouro, o resgate de Perséfone no submundo.

Quando Teseu retornou a Atenas, encontrou o reino em completa desordem, e para ele o estrago feito fora tão grande que não seria possível recuperar-se. Assim sendo enviou seus filhos para viverem em Eubéia e retirou-se para Ciros, onde reinava seu primo Licomedes.

Sentindo-se ameaçado por conhecer todos os feitos de Teseu, Licomedes usou de traição e empurrou-o de um penhasco, matando-o.



terça-feira, 17 de janeiro de 2012

O Mito de Teseu – Parte 1


O Mito de Teseu – Parte 1



Teseu foi um grande herói ateniense, filho de Etra, que por sua vez era filha de Píteu, o rei de Trezena. Na noite que foi concebido, sua mãe se relacionou com Egeu, rei de Atenas e Poseidon, deus do mar.
Portanto, pela sua coragem e força descomunal, crê-se que seu verdadeiro pai seja Poseidon, e que ele seja um semideus, porém foi o nome de Egeu que Teseu carregou consigo.

Ainda gravida, Etra foi abandonada por Egeu. O rei de Atenas deixou sua espada e suas sandália debaixo de uma grande pedra e disse a Etra que se ela desse a luz a um menino e quando ele estivesse pronto, retirasse os objetos debaixo da pedra e levasse até ele em seu reino, então seria reconhecido como seu filho.

Nesta mesma época, quando Egeu retornou a Atenas, Androgeu, filho do rei Minos de Creta, estava participando do festival Panateniense e morreu lá. Há duas versões para a morte de Androgeu, a primeira diz que ele participou na verdade dos jogos fúnebres em honra a Laio, em Tebas, venceu todas as competições e despertou a inveja dos outros participantes que após os jogos, o emboscaram e o mataram.

Já a segunda versão diz que irado por um cretense vencer todos os atenienses que estavam participando, Egeu mandou contra o rapaz, o touro de maratona, que o matou.

Acontece que aos 16 anos, Teseu, já possuidor de uma grande força e de um ego muito inflado, conseguiu retirar a espada e as sandálias debaixo da pedra, e decidiu ir até seu pai. Em sua viagem, Teseu foi formando sua fama de herói.

No primeiro dia de viagem ele combateu Perifetes, o filho de Hefesto, que matava peregrinos que chegavam em Epidauro com um bastão de ferro. Teseu o derrotou com a própria arma e se apoderou do seu bastão.

Dentre outras batalhas que ele travou uma delas foi contra Sínis, um gigante também filho de Poseidon, que matava seus inimigos amarrando-os em pinheiros e jogando-os contra as rochas. Dotado de uma força descomunal, Teseu o venceu usando sua mesma forma de matar.

Ao chegar em Atenas, Teseu já era conhecido como herói invencível, Egeu porém ainda não tinha ideia de que fosse seu filho. Influenciado por sua mulher Medéia, que sabia da identidade de Teseu, quase envenenou-o, mas reconheceu a espada e as sandálias que Teseu carregava, evitou sua morte  e o aceitou como filho legítimo.

Medéia foi expulsa de Atenas e voltou para Cólquida.

Algum tempo depois, ele descobriu um plano de seus primos, os cinquenta palântidas, para destronar seu pai e os matou. Após assassiná-los, ele voltou a Trezena onde se exilou por um ano.

No próximo post sobre Teseu falaremos sobre O minotauro e a queda do herói.


Imortais - crítica.


Raramente falo sobre algum filme, por que não acho que tenho grande senso crítico, tampouco sou bom conhecedor das palavras para fazê-lo. Porém ao assistir Imortais, do diretor Tarsem Singh fiquei revoltado. Acho que qualquer bom amante da mitologia grega ficaria.

O filme é espalhafatoso, deficiente e carnavalesco. Se você é o tipo de pessoa que gosta de filmes de ação, deve ter ficado encantado com os efeitos porém, nada disso salva o grande circo armado em torno do filme.

Uma historia completamente sem noção que mistura todos os mitos numa bagunça sem fim.
A começar pelo rei Hiperion, que deseja libertar os titãs por que odiava os deuses, mas se você leu os posts anteriores do Grimório, com certeza lembra que o verdadeiro Hipérion era um dos titãs.



As referências à Titanomaquia foram abusivas e sem nexo.

O herói, Teseu, é entediante e foi completamente distorcido, conforme vocês verão no próximo post. Ele é bobo, chato e apagado.



Eu não sei dizer qual o pior ponto do filme, ainda estou me decidindo sobre isso. Não sei se é o minotauro ser uma figura estranha que parece mais o Kevin Nash com um capacete de touro, ou se são aqueles deuses patéticos, mais parecidos com personagens do carnaval do Rio [Ainda me pergunto o que raios eram aqueles deuses? Bonecas de cera do Dreamland em Gramado?], completamente apáticos à uma Grécia que clamava quase inteira por ele.



Tudo bem que no decorrer do que aprendemos sobre eles, descobrimos que os deuses não são santos, são bem vingativos e podem ser perfeitos filhos da puta, porém sabe-se também que a força deles provinha da fé dos humanos, então como eles simplesmente se recolhiam ao Olimpo quando todo o seu povo chamava, e até mesmo quando seus piores inimigos estavam prestes a serem libertados bem debaixo das suas fuças??? Muito ridículo.

Para coroar a historia medíocre, não há nem a sombra do rei Minos, ou de Ariadne, em seu lugar, fora colocada um oráculo virgem que cansa de ser oráculo, e dorme com Teseu para se livrar do dom, dom pelo qual suas “irmãs” perderam a vida tentando proteger, e acabaram cozidas dentro de um touro feito de deus-sabe-o-que. Parecia ferro, mas quebrou muito fácil... Parecia pesado mas se partiu sem esforço, vai saber né?

Por fim o tal arco de Épiro não aparece nas historias que li. Ou eu estou lendo os livros errados ou este foi só mais um objeto para as alegorias do carnavalesco Singh.

Ao longo do tempo, que gosta de mitologia só consegue se decepcionar com estas super produções, Fúria de Titãs, 300, Hércules, entre tantos outros nenhum deles consegue passar a magia das histórias que tanto gostamos.

Eu só gostaria de entender por que as pessoas não podem simplesmente adaptar uma historia sem despedaçá-la.


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