Dionísio – O décimo segundo.
*Mais uma vez, antes de iniciar o post sobre o deus citado,
gostaria de esclarecer umas coisas. A Mitologia, é muito ampla, e como qualquer
historia extensa e antiga ela vem sendo modificada ao longo do tempo ganhando
muitas versões para os seus mitos. Tento repassar nos posts as historias mais
conhecidas ou as mais próximas possíveis das originais, mas admitindo,
obviamente que existam, versões diferentes divulgadas em outras fontes.
Dionísio é filho de Zeus e da princesa Sêmele. Das
divindades olímpicas é o mais atípico, por ser o único dentre todos, filho de
uma mortal. É o deus das festas, das orgias, dos vinhos e dos ciclos vitais.
Era tido como subversivo, desobediente e insano, não por ser
louco, foi assim chamado por provocar as insânias das orgias sexuais regadas à
bebedeiras. Dionísio foi, na
antiguidade, uma das figuras olímpicas mais polêmicas, seu culto, vindo
possivelmente da Trácia, Lídia ou Frígia, para a Grécia em meados do século
VIII a.c. sofreu muitas restrições. Homero, por exemplo, uma das grandes fontes
mitológicas existentes, não reconhece Dionísio como um deus Olímpico.
Equivale ao deus romano, Baco, de onde se origina o nome “bacanais”.
Assim como toda boa historia mitológica, o nascimento de
Dionísio tem duas versões.
Em uma primeira versão, segundo textos classicos, Zeus teria
engravidado a princesa Sêmele, filha do Rei Cadmo de Tebas, e de Harmonia,
filha de Afrodite e Ares.
Apaixonado, Zeus teria prometido a Sêmele, que esta poderia
pedir-lhe o que quisesse. Ao descobrir a traição, preparou uma emboscada,
disfarçou-se de ama de Sêmele e a envenenou, dizendo que o homem que a visitava
e dizia ser um deus, estava mentindo. Hera incentivou Sêmele, a pedir que ele
lhe provasse a divindade, mostrando-se em sua forma mais poderosa.
Com a duvida plantada, Sêmele, exigiu que Zeus se provasse
para ela. O deus do Olimpo ainda tentou, dissuadí-la, mas sem conseguir negar a
própria palavra empenhada, já que prometera qualquer coisa que ela pedisse,
mostrou-se em sua forma divina. O Corpo de Sêmele não aguentou o poder emanado
e ela morreu. Zeus porém, conseguiu salvar o bebê que ela carregava, criando-o
na própria coxa.
Ao atingir os 9 meses necessários, Zeus, confiou-o à Hermes,
que o entregou para ser criado com Ino e Athamas. Ao descobrir que Dionísio
havia sobrevivido e seu paradeiro, Hera enlouqueceu Athamas, levando-o a
assassinar o próprio filho, Learco,
caçando-o achando que o mesmo era um veado. Ino na tentativa de salvar
seu outro filho, Melicertes, da loucura do pai, em umas versões o mata e se
joga com ele no fundo do mar, em outras atira-se com ele no mar, onde se
transformam nas deidades Leucotéia e
Palaemon.
Vendo que não conseguiria manter o filho seguro da ira de
Hera, Zeus a iludiu transformando-o num cabrito e enviando-o para ser criado
com as ninfas.
Existe um mito paralelo, sobre o nascimento de Dionísio, provenientes
da religião órfica (uma religião antiga da Grécia, que teve origem, em
Orfeu, poeta que desceu ao Hades para
resgatar sua amada, e retornou, e também outras divindades que teriam retornado
do submundo, como Perséfone e o próprio Dionísio).
Zagreu, um deus órfico, teria sido fruto da união entre Zeus
e Perséfone, antes da mesma ser raptada por Hades. Hera, como sempre, tomada
pelo despeito incitou que os titãs o matassem. Atena, porém, conseguiu resgatar
seu coração e o mesmo foi servido a Sêmele, por Zeus em forma de bebida antes
de ela engravidar de Dionísio.
Dionísio foi persguido por Hera por muito tempo, chegando a
ser enlouquecido por ela, e curado por Réia, que o purificou e o instruiu em
seus ritos, após isso, Ele atravessou a Ásia ensinando a cultura da uva, o que
posteriormente o fez tornar-se conhecido como deus dos vinhos, e também foi o
primeiro a cultivar parreiras.
Os Mitos de Dionísio.
Dionísio é um deus que representa o mundanismo e portanto,
em algumas culturas, não é bem representado. Algumas versões gregas mostram-no
transmutado em forma de animal, ora um touro, ora um bode. Ele em sua forma
animalesca, liderava seu séquito que era composto por bacantes (fêmeas
seguidoras de Dionísio cujo nome deriva de Baco, seu nome romano e também
conhecidas como Mênades, bassáridas ou tíades), sátiros(que representavam,
ninfas entre outras figuras para os bosques onde festejavam, desmembrando
animais, dançando e comendo carne crua.
Dionísio e Penteu.
Penteu era primo de Dionísio filho de Agave, irmão de sua
mãe. Este recebeu de Cadmo o trono de Tebas. Penteu, porém proibiu os cultos à
Dionísio nas suas terras e irritado, o deus dos vinhos, ordenou que suas
bacantes levassem as mulheres da cidade à loucura. Penteu ordenou que fossem
presos todos aqueles que participassem dos cultos dionisíacos. Mais tarde os
guardas chegaram com o próprio Dionísio disfarçado de sacerdote. Sendo um deus,
ele conseguiu se libertar facilmente da prisão e destruiu o castelo de Penteu
com terremoto e incêndio.
Logo depois um pastor, trouxe a noticia de que as bacantes
estavam no monte Citéron, realizando feitos incríveis e levando as demais
mulheres ao êxtase. Penteu, foi tomado pela curiosidade e aceitou o conselho de
Dionísio, ainda disfarçado de sacerdote, para que se vestisse de mulher e fosse
ver os ritos.
Chegando ao monte Citéron, com a ajuda do deus, Penteu foi
elevado ao galho mais alto das árvores, em seguida, Dionísio alertou as
bacantes da presença de um homem. As mulheres se enfureceram e o atacaram,
Agáve, mãe de Penteu, que estava tomada pela loucura das bancantes, participou
do massacre, e acabou por leva a cabeça do filho para casa, achando ser a de um
leão que ela havia caçado. Quando finalmente entendeu a tragédia, enlouqueceu.
Dionísio e Ariadne
São três as versões (pelo menos conhecidas por mim) para o
mito de Dionísio e Ariadne. Ao chegar na ilha de Naxos, Teseu teve um sonho de
que Dionísio o ameaçava se este não deixasse Ariadne para o deus. Então ele a
abandona. Dionísio a elava para uma ilha
chamada Drius e depois disso, ela nunca mais foi vista.
O segundo mito conta que após ser abandonada por Teseu na
ilha de Naxos, Ariadne, fica desolada e desesperada. Afrodite se comove e lhe
promete um amante imortal, para superar o mortal que lhe abandonou. Dionísio
que tinha grande apreço pela ilha de Naxos, encontra Ariadne e se apaixona,
consola-a e toma-a como esposa. O deus dá a ela uma coroa de ouro, cravejada de
pedras preciosas de presente de casamento.
Quando Ariadne morre, Dionísio lança esta coroa no céu, e a mesma se
transforma na constelação de Corona Borealis.
A terceira versão, cuja fonte é Pseudo-Apolodoro diz que
Ariadne foi na verdade, raptada por Dionísio que a levou para lemnos, onde
tiveram quatro filhos: Toas, Estáfilo, Enopião e Parepeto. Esta versão ainda
diz que foi pela tristeza de perder Ariadne que Teseu esqueceu de descer as
velas negras e içar as velas brancas no navio, o que veio a causar o suicídio
de Egeu.
Ainda há que segundo Pausânias, Dionísio e Ariadne foram os
pais do herói Céramo.
Dionísio e Hades
Dionísio, desce ao Hades, para retirar sua mãe de lá. Ele
consegue chegar ao submundo sem grandes dificuldades e paga a Hades pela
ressurreição dela, com um ramo de mirto.
Outros Mitos:
Nas lendas romanas, Dionísio se torna Baco, e é consagrado
por Zeus como o mais poderoso dos deuses depois de seu pai, após se transformar
em leão e devorar os gigantes.
Dionísio era representado como uma figura alegre e festiva,
porém a despeito de sua imagem amigável e sociável, costumava ser implacável
com aqueles que se opunham aos seus ritos. Assim como Penteu, o rei Licurgo da
Trácia, tentou proibir o cortejo dionisíaco de atravessar a cidade, como
vingança, Dionísio o enlouqueceu.
Por todos os acontecimentos em torno de sua vida, Dionísio
foi o ultimo dos doze a ser aceito no Olimpo.


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