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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

As doze divindades do Olimpo – Dionísio.


Dionísio – O décimo segundo.


*Mais uma vez, antes de iniciar o post sobre o deus citado, gostaria de esclarecer umas coisas. A Mitologia, é muito ampla, e como qualquer historia extensa e antiga ela vem sendo modificada ao longo do tempo ganhando muitas versões para os seus mitos. Tento repassar nos posts as historias mais conhecidas ou as mais próximas possíveis das originais, mas admitindo, obviamente que existam, versões diferentes divulgadas em outras fontes.

Dionísio é filho de Zeus e da princesa Sêmele. Das divindades olímpicas é o mais atípico, por ser o único dentre todos, filho de uma mortal. É o deus das festas, das orgias, dos vinhos e dos ciclos vitais.

Era tido como subversivo, desobediente e insano, não por ser louco, foi assim chamado por provocar as insânias das orgias sexuais regadas à bebedeiras.  Dionísio foi, na antiguidade, uma das figuras olímpicas mais polêmicas, seu culto, vindo possivelmente da Trácia, Lídia ou Frígia, para a Grécia em meados do século VIII a.c. sofreu muitas restrições. Homero, por exemplo, uma das grandes fontes mitológicas existentes, não reconhece Dionísio como um deus Olímpico.

Equivale ao deus romano, Baco, de onde se origina o nome “bacanais”.

Assim como toda boa historia mitológica, o nascimento de Dionísio tem duas versões.

Em uma primeira versão, segundo textos classicos, Zeus teria engravidado a princesa Sêmele, filha do Rei Cadmo de Tebas, e de Harmonia, filha de Afrodite e Ares.

Apaixonado, Zeus teria prometido a Sêmele, que esta poderia pedir-lhe o que quisesse. Ao descobrir a traição, preparou uma emboscada, disfarçou-se de ama de Sêmele e a envenenou, dizendo que o homem que a visitava e dizia ser um deus, estava mentindo. Hera incentivou Sêmele, a pedir que ele lhe provasse a divindade, mostrando-se em sua forma mais poderosa.

Com a duvida plantada, Sêmele, exigiu que Zeus se provasse para ela. O deus do Olimpo ainda tentou, dissuadí-la, mas sem conseguir negar a própria palavra empenhada, já que prometera qualquer coisa que ela pedisse, mostrou-se em sua forma divina. O Corpo de Sêmele não aguentou o poder emanado e ela morreu. Zeus porém, conseguiu salvar o bebê que ela carregava, criando-o na própria coxa.

Ao atingir os 9 meses necessários, Zeus, confiou-o à Hermes, que o entregou para ser criado com Ino e Athamas. Ao descobrir que Dionísio havia sobrevivido e seu paradeiro, Hera enlouqueceu Athamas, levando-o a assassinar o próprio filho, Learco,  caçando-o achando que o mesmo era um veado. Ino na tentativa de salvar seu outro filho, Melicertes, da loucura do pai, em umas versões o mata e se joga com ele no fundo do mar, em outras atira-se com ele no mar, onde se transformam  nas deidades Leucotéia e Palaemon.



Vendo que não conseguiria manter o filho seguro da ira de Hera, Zeus a iludiu transformando-o num cabrito e enviando-o para ser criado com as ninfas.

Existe um mito paralelo, sobre o nascimento de Dionísio, provenientes da religião órfica (uma religião antiga da Grécia, que teve origem, em Orfeu,  poeta que desceu ao Hades para resgatar sua amada, e retornou, e também outras divindades que teriam retornado do submundo, como Perséfone e o próprio Dionísio).

Zagreu, um deus órfico, teria sido fruto da união entre Zeus e Perséfone, antes da mesma ser raptada por Hades. Hera, como sempre, tomada pelo despeito incitou que os titãs o matassem. Atena, porém, conseguiu resgatar seu coração e o mesmo foi servido a Sêmele, por Zeus em forma de bebida antes de ela engravidar de Dionísio.
Dionísio foi persguido por Hera por muito tempo, chegando a ser enlouquecido por ela, e curado por Réia, que o purificou e o instruiu em seus ritos, após isso, Ele atravessou a Ásia ensinando a cultura da uva, o que posteriormente o fez tornar-se conhecido como deus dos vinhos, e também foi o primeiro a cultivar parreiras.

Os Mitos de Dionísio.

Dionísio é um deus que representa o mundanismo e portanto, em algumas culturas, não é bem representado. Algumas versões gregas mostram-no transmutado em forma de animal, ora um touro, ora um bode. Ele em sua forma animalesca, liderava seu séquito que era composto por bacantes (fêmeas seguidoras de Dionísio cujo nome deriva de Baco, seu nome romano e também conhecidas como Mênades, bassáridas ou tíades), sátiros(que representavam, ninfas entre outras figuras para os bosques onde festejavam, desmembrando animais, dançando e comendo carne crua.

Dionísio e Penteu.

Penteu era primo de Dionísio filho de Agave, irmão de sua mãe. Este recebeu de Cadmo o trono de Tebas. Penteu, porém proibiu os cultos à Dionísio nas suas terras e irritado, o deus dos vinhos, ordenou que suas bacantes levassem as mulheres da cidade à loucura. Penteu ordenou que fossem presos todos aqueles que participassem dos cultos dionisíacos. Mais tarde os guardas chegaram com o próprio Dionísio disfarçado de sacerdote. Sendo um deus, ele conseguiu se libertar facilmente da prisão e destruiu o castelo de Penteu com terremoto e incêndio.

Logo depois um pastor, trouxe a noticia de que as bacantes estavam no monte Citéron, realizando feitos incríveis e levando as demais mulheres ao êxtase. Penteu, foi tomado pela curiosidade e aceitou o conselho de Dionísio, ainda disfarçado de sacerdote, para que se vestisse de mulher e fosse ver os ritos.
Chegando ao monte Citéron, com a ajuda do deus, Penteu foi elevado ao galho mais alto das árvores, em seguida, Dionísio alertou as bacantes da presença de um homem. As mulheres se enfureceram e o atacaram, Agáve, mãe de Penteu, que estava tomada pela loucura das bancantes, participou do massacre, e acabou por leva a cabeça do filho para casa, achando ser a de um leão que ela havia caçado. Quando finalmente entendeu a tragédia, enlouqueceu.

Dionísio e Ariadne

São três as versões (pelo menos conhecidas por mim) para o mito de Dionísio e Ariadne. Ao chegar na ilha de Naxos, Teseu teve um sonho de que Dionísio o ameaçava se este não deixasse Ariadne para o deus. Então ele a abandona.  Dionísio a elava para uma ilha chamada Drius e depois disso, ela nunca mais foi vista.

O segundo mito conta que após ser abandonada por Teseu na ilha de Naxos, Ariadne, fica desolada e desesperada. Afrodite se comove e lhe promete um amante imortal, para superar o mortal que lhe abandonou. Dionísio que tinha grande apreço pela ilha de Naxos, encontra Ariadne e se apaixona, consola-a e toma-a como esposa. O deus dá a ela uma coroa de ouro, cravejada de pedras preciosas de presente de casamento.  Quando Ariadne morre, Dionísio lança esta coroa no céu, e a mesma se transforma na constelação de Corona Borealis.

A terceira versão, cuja fonte é Pseudo-Apolodoro diz que Ariadne foi na verdade, raptada por Dionísio que a levou para lemnos, onde tiveram quatro filhos: Toas, Estáfilo, Enopião e Parepeto. Esta versão ainda diz que foi pela tristeza de perder Ariadne que Teseu esqueceu de descer as velas negras e içar as velas brancas no navio, o que veio a causar o suicídio de Egeu.

Ainda há que segundo Pausânias, Dionísio e Ariadne foram os pais do herói Céramo.



Dionísio e Hades

Dionísio, desce ao Hades, para retirar sua mãe de lá. Ele consegue chegar ao submundo sem grandes dificuldades e paga a Hades pela ressurreição dela, com um ramo de mirto.

Outros Mitos:

Nas lendas romanas, Dionísio se torna Baco, e é consagrado por Zeus como o mais poderoso dos deuses depois de seu pai, após se transformar em leão e devorar os gigantes.
Dionísio era representado como uma figura alegre e festiva, porém a despeito de sua imagem amigável e sociável, costumava ser implacável com aqueles que se opunham aos seus ritos. Assim como Penteu, o rei Licurgo da Trácia, tentou proibir o cortejo dionisíaco de atravessar a cidade, como vingança, Dionísio o enlouqueceu.

Por todos os acontecimentos em torno de sua vida, Dionísio foi o ultimo dos doze a ser aceito no Olimpo.




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