Têmis, cuja etimologia vem do grego Θέμις, (Thémis), é umas das seis
titânides filhas de Urano e Gaia. Tem muitas atribuições na mitologia grega,
representante das leis divinas e guardiã dos juramentos e decretos dos homens,
sendo comum que a convocassem em julgamentos perante os magistrados. Empunha em
uma das mãos uma balança com a qual equilibra a razão com o julgamento e na
outra uma cornucópia. Por causa destas atribuições, muitas vezes é chamada de
deusa da Justiça, o que segundo algumas versões da mitologia está errado, pois
a deusa da justiça seria na verdade Dice, que equivale a deusa romana Justitia.
Seu nome pode ser traduzido como aquela que é posta, colocada.
Têmis foi também associada ao oráculo que revelava a vontade dos
deuses. Foi Têmis que passou o poder do Oráculo para Febe e esta depois para
Apolo.
Têmis, Nyx e as Moiras...
Com medo de ser destronado, segundo uma profecia, Urano enlouqueceu a
tal ponto que trancou todos os filhos no Tártaro. Para proteger Têmis da
loucura do pai, Gaia entregou-a a Nyx. Porém Nyx estava cansada, havia acabado
de gerar sua ultima filha, Nêmesis, e vinha gerando filhos incessantemente,
por isso entregou Nêmesis e Têmis aos cuidados de suas filhas mais velhas, conhecidas
com As Moiras.
As Moiras ( Cloto, Laquésis e Atropo), são as três deusas do destino
dos homens e dos deuses, cujas decisões não podiam ser transgredidas nem pelo
maior de todos os deuses. As Moiras então criaram Têmis – a deusa da Justiça e
Nêmesis – a deusa da retribuição.
Em algumas versões, Têmis aparece erroneamente descrita como a mãe das
Moiras, e isso provavelmente ocorre por uma comum confusão entre as Moiras e as
Horas.
Têmis e o Oráculo.
A Titânide herdou da
mãe, Gaia, o poder dos oráculos e também do maior deles, o oráculo de Delfos.
Através dele se comunicava com os homens, depois cedeu este poder a irmã, Febe
que por sua vez entregou-o a Apolo. Porém alguns estudiosos apontam Têmis como
o próprio tempo oracular, sendo dividido da seguinte maneira: Gaia -Têmis, Febe -Têmis, Apolo -Têmis, ou seja,
ela seria a entidade máxima ligada às previsões oraculares, era chamada de voz
da terra. Quando o titã Prometeu foi
acorrentado ao Monte Cáucaso, Têmis profetizou que ele seria libertado. Sua profecia
se concretizou quando Héracles salvou-o do seu castigo.
Têmis e Zeus
Têmis foi a segunda esposa de Zeus, depois de Métis e antes de Hera.
Era considerada muito sábia e por isso sentava-se ao seu lado no Olimpo
aconselhando-o e ajudando-o a governar. Foi ela quem aconselhou Zeus, a cobrir
o escudo, que mais tarde chamaria-se Égide, com a pele da cabra Almatéia.
Uma das maiores atribuições de Têmis era a beleza, e por causa dela,
Zeus a perseguiu com tamanho ímpeto até que conseguiu desposá-la. Zeus era o rei todo-poderoso, absoluto, um
padrão arquetípico que governa a consciência coletiva, que tanto cria como
mantém uma coletividade. Mas é Têmis, que movimentando-se dentro de vários
outros padrões arquetípicos, desestabiliza o absolutismo e as certezas de Zeus.
Ela movimentava-se em uma direção contrária, nunca deixando de incluir o máximo
possível. Têmis exercia portanto, um efeito de abrandamento.
Entretanto, o casamento do dois não foi de total doce harmonia, pois
embora transitasse sabedoria entre eles, os ditames de um e do outro, sempre
tinham um preço muito elevado, pois nada possui solução definitiva.
Segundo as mais variadas versões, desde Hesíodo à Píndaro, Têmis gerou
com Zeus:
- As Horas, a saber Dike (Justiça), Eunomia (Disciplina) e Irene (Paz).
- No Prometeu Acorrentado, Ésquilo a coloca como mãe de Prometeu.
- O pseudo-Higino lhe atribui a maternidade das Horas e das ninfas o rio Erídano, que ensinaram a Héracles o caminho para o Jardim das Hespérides.
- Arato, o pseudo-Higino e Ovídio a consideram mãe de Astreia.
As Previsões de Têmis
Quando o
titã Prometeu foi acorrentado ao Cáucaso, Têmis profetizou que ele seria
libertado. Sua profecia se concretizou quando Héracles (ou Hércules), salvou-o
do seu castigo.
Foi Têmis
quem alertou Zeus que o filho de Métis seria uma ameça à seu pai.
Ajudou
Deucalião e Pirra a formar a humanidade após o dilúvio enviado como castigo por
Zeus, profetizando que ambos deveriam "jogar os ossos de sua mãe para trás
das costas". Pirra ficou temerosa de cometer algum sacrilégio ao profanar
os ossos de sua mãe, não captando o sentido da profecia. Deucalião, porém,
entendeu tratar-se de pedras os ossos da deusa-Terra, mãe de todos os seres.
Assim ele atirou pedras para trás e delas surgiram homens.
Têmis
revelou a Zeus e a Poseidon que não se unissem à nereida Tétis, porque, se isso
acontecesse, esta daria à luz um filho mais poderoso que o pai. Por isso, Tétis
foi dada em casamento a Peleu e tornou-se mãe de Aquiles.
Têmis
advertiu Atlas que um filho de Zeus (Héracles) arrancaria os pomos de ouro do
Jardim das Hespérides.
Os oráculos dados por Têmis, não profetizavam só o futuro, mas eram
ainda, mandamentos das leis da natureza às quais os homens deveriam obedecer. A
Deusa nos fala de uma ordem e de uma lei naturais que precedem as noções
culturalmente condicionadas da organização e das regras derivadas das
necessidades de uma sociedade.
Alguns pensadores crêem ser Têmis uma abstração das noções humanas de
uma justiça de uma cultura específica, presumivelmente matrifocal. Uma visão
arquetípica, sustentaria que Têmis não é o produto da organização social, mas o
pressuposto para tanto. Sua existência psicológica precede-o e subjaz ao
entendimento humano do que ela quer dizer ou ensinará. A visão arquetípica
localizaria sua origem na natureza psíquica, no inconsciente coletivo, ao invés
de localizá-la na cultura e na consciência coletiva. Ela não é secundária, e
sim fundamental.
Entretanto, nos cultos à Têmis eram celebrados os "mistérios"
ou "orgias", emprestando-lhe a visão que ela era uma Deusa genuína, e
não uma simples personificação da ideia abstrata de legalidade. Têmis é a Deusa
oracular da Terra, ela defende e fala em nome da Terra, do enraizamento da
humanidade em uma inabalável ordem natural.
Têmis e a Justiça
Ao presidir as reuniões de cunho político do Olimpo, Têmis manifesta o
teor organizacional de sua dignidade e justiça. Têmis congregava às reuniões
com seriedade moral e obrigava os grandes e poderosos a ouvir, de modo
consciencioso, as objeções e contribuições dos irmãos e irmãs menos
proeminentes. A Deusa opunha-se à dominação de um sobre muitos e apoiava a
unidade mais que a multiplicidade a totalidade mais do que a fragmentação, a
integração mais do que a repressão.
Seu mais ardente adversário no Olimpo foi Ares, o deus da guerra cujo o
apetite por violência e sede de sangue não conhecia limites. Não porque Têmis
fosse contra a guerra, mas agia com motivos de ordem ambiental, pois a guerra
reduziria a população humana.
Outras atribuições
Segundo um hino homérico, Têmis estava ao lado de Leto entre as deusas
presentes ao nascimento de Apolo e Ártemis, que incluíam também Dione, Reia,
Icnaia e Anfitrite.
Têmis era a deusa da consciência coletiva e da ordem social, da lei
espiritual divina, paz, ajuste de divergências, justiça divina, encontros
sociais, juramentos, sabedoria, profecia, ordem, nascimentos, cortes e juízes.
Foi também inventora das artes.



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